1001 Filmes

cinema | poesia | verdade

O Confeiteiro (האופה מברלין)

Ofir Raul Graizer. Israel, 2018.

Sem receber notícias de seu namorado Oren (Royal Miller) há mais de 6 semanas, Thomas (Tim Kalkhof) viaja a Israel no intuito de reviver sua paixão. Lá, ele se envolve com a família de seu amado, notavelmente a esposa Anat (Sarah Adler), enquanto os impulsos psicológicos do protagonista tecem um plano de ação.

Um provocativo e obsessivo conto sobre luto, explorando notas de uma melancolia embargada, solitária e introspectiva. É sobre agarrar-se aos resquícios de uma existência pretérita e manter vivo, a qualquer custo, o que um dia se possuiu: em memória, sentimento, carne viva e massa fresca.

A narrativa sutil e livre de julgamentos trabalha a construção de arquétipos psicológicos complexos e faz muito bem ao dispor de elementos que revelam, gradualmente, a obscura psique do protagonista. Sem lamentação ou sofrimento histérico, a dor habita o íntimo das personagens e só faz transparecer na profundidade dos olhares e em breves momentos de desarranjo.

Apesar de recorrer, poucas vezes, a atalhos narrativos convenientes e desfechos pouco inspirados, o roteiro e a direção acertam a dose de background cultural. O diretor tece um pano de fundo capaz de tangenciar questões sócio-políticas que incrementam o drama de perda com novas e importantes nuances.

O Confeiteiro é um drama cativante focado no cultivo de personalidades provocantes e na criação de situações desconfortavelmente reveladoras. Situada em uma sociedade de tradições, a história contraria a convencionalidade sem frustrar a verossimilhança, desenhando um enredo superficialmente frio e sóbrio mas internamente perturbador.

RATING: 74/100

inscreva-se

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre 1001 Filmes

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading