Pascal Tagnati. França, 2021.
Em uma pequena vila na Córsega, crianças iluminam as ruas, adolescentes ficam à toa, adultos discutem o futuro, enquanto os mais velhos refletem sobre a passagem do tempo. Quem nunca saiu de lá recebe de volta os que foram para o exterior. Familiares e antigos amigos compartilham esse momento único nas montanhas. Sob o sol escaldante e ao som de risadas agitadas, o verão suspende o tempo, mas não cura todas as feridas.

“I Comete – Um Verão na Córsega” é o Saturday Night Live da fofoca provinciana. Uma colagem de esquetes, sem ligações óbvias entre si que, quando analisadas em conjunto, podem expressar uma visão coletiva de mundo. Nem tudo pode ser aproveitado ao pé da letra, mas a natureza dos diálogos e das interações carregam o espírito local, satisfazendo a razão de ser da obra.
As personagens esboçadas (e não desenvolvidas) debatem assuntos de relevância local, perspectivas sobre a França, assuntos de família, tudo em uma teia que, além das dissertações argumentativas, engloba: brincadeiras de criança, preconceitos velados, vilipêndio de cadáver, bullying, nacionalismo e tudo mais que os aldeões precisem “botar pra fora”, construindo um mosaico, uma compreensão sobre a comunidade e suas visões.
O resultado é agradável, ensolarado, arejado, arborizado mas exaustivo demais. A câmara estática, espiona o “disse me disse” sem interagir, limitando-se a inteirar o espectador sobre os fuxicos do verão. A passividade da direção avança para um campo quase documental, permanecendo inerte, dura e fria durante todo o filme, catalisando a sensação de esgotamento.
Sob uma ótica muito particular, é possível extrair um tese interessante: sendo os diálogos representações daquilo ao qual as personagens se voltam pessoalmente, há uma noção sobre a incompletude humana, isto é, é necessária a totalidade das visões, complementando-se entre si para exprimir o espírito da Córsega. Um aldeão depende do outro para sentir-se parte daquele comunidade em plenitude, ainda que com percepções de mundo aparentemente sem qualquer interseção.
Mesmo que deixando a desejar no manejo da condução, o longa desenvolve uma maneira original de retratar uma sociedade em particular. É perceptível que há a defesa de uma teoria, que o cineasta entende a Córsega como segmentada naquelas várias facetas e perspectivas, o que é bem representado, mas a falta de recursos de linguagem deprecia o resultado final, uma pena.
RATING: 39/100
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