Jonas Bak. Alemanha, 2021.
Após se aposentar do trabalho na igreja de sua cidadezinha, na Floresta Negra, Anke está ansiosa para rever os filhos durante as férias de verão no mar Báltico. Porém, no último minuto, Max, um de seus filhos, não consegue se juntar à família por causa dos protestos que tomam conta de Hong Kong, onde vive. Sem vê-lo há muitos anos, e depois de um verão um pouco tedioso, Anke decide visitá-lo. Ela passa os primeiros dias sozinha em território estrangeiro, esperando Max voltar de uma viagem de negócios. Tomada por protestos, Hong Kong é para Anke um enigmático novo mundo por onde ela se move com cuidado, mas também representa uma aventura, uma escapatória.

“Madeira e Água” retrata a solidão e a monotonia na vida da recém-aposentada mãe, cujos os filhos, há tempos, voaram para longe, para os grandes centros, buscando objetivos profissionais, conforme o que se entende como um fluxo natural da vida. Para refletir a perspectiva da mulher, o compasso da narrativa é, de fato, monótono e, na maioria das vezes, lento demais, como monólogos esparsos e silêncios duradouros.
A premissa, incluindo os protestos em Hong Kong e o início da pandemia do Corona vírus, parece mais interessante do que o resultado final. Ocorre que o contexto histórico, profundamente relevante, quase não é explorado. O desconforto da mãe, deslocada tão longe de casa, em uma metrópole tomada de fervor social, tão diferente da pacata igreja da Floresta Negra, de onde acabara de sair, parece não a incomodar mais do que as questões existenciais (estas bem colocadas) que enfrenta.
Por outro lado, a análise sobre a psique da mãe é bem mais rica. Sua história ganha a poesia da mitologia local, sendo traduzidas nas palavras do cartomante. Sua expressão, quando entende que o seu lugar é onde sempre esteve, é um sopro refrescante em um momento que a narrativa já respira por aparelhos, devido ao peso do mormaço emocional no que se encontra a protagonista.
É emblemático o momento no qual a serra, repleta de árvores, é engolida por um túnel que leva à urbana Hong Kong. A sequência ilustra o início da jornada da mãe, abduzida de seu habitat e jogada em meio à ebulição de revolta popular e às persistentes luzes da cidade. Uma pena que os momentos mais inspirados (cinematograficamente) são tão escassos no decorrer da obra.
Mais para madeira do que para água, o filme parece não fluir bem. A (esperada) introspecção da mãe não encontra caminho para o coração do espectador e o calor da rua parece não ser importante para o cineasta.
RATING: 30/100
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