1001 Filmes

cinema | poesia | verdade

Os Inventados (Los Inventados)

Leo Basilico, Nicolás Longinotti, Pablo Rodríguez Pandolfi. Argentina, 2021.

Durante um fim de semana, Lucas participa de um workshop de atuação em que todos precisam fingir ser outra pessoa. Porém, a cada dia que passa, um participante desaparece sem deixar vestígios de sua existência e Lucas parece ser o único a se dar conta disso. Será que todos têm uma tarefa diferente da sua? Ou ele também poderá desaparecer misteriosamente?

“Os Inventados” aborda o existencialismo através de um conceito extremamente original. Há uma atmosfera de blefe psicológico rondando cada momento, noite após noite, desafiando o espectador a tentar compreendê-la, elaborar teorias, diferenciar o que é real do que é fictício. Esse jogo mental vai caminhando cada vez mais longe de onde iniciou-se, presenteando o público com a satisfação da novidade, do experimento, das hipóteses exploradas.

A premissa original, interessantíssima por sinal, vai se reformulando (ou deteriorando-se) com o andar da narrativa, frustrando expectativas, ignorando as questões por ela mesmo colocadas. Essa metamorfose não é de todo positiva pois deixa de explorar pontos importantes, que poderiam render uma discussão mas, felizmente, as mudanças de rumo não chegam a quebrar no ritmo do longa e, ao final, justificam-se a si próprias.

A imprevisibilidade, pilar fundamental do filme, acaba sendo prejudicada por algumas pistas a mais que entregam certos desfechos muito cedo, inclusive o grande plot-twist final, que apesar de engenhoso (e satisfatório), perde um pouco da potência. A consequência (naturalmente provocada pela história) de “sempre esperar que o inesperado aconteça” também prejudica a força das surpresas e neste ponto vai acabando o oxigênio da narrativa.

Felizmente, a conclusão chega antes do cansaço, a trancos e barrancos, mas chega. Fechando um ciclo e dando ao espectador uma nova perspectiva de análise sobre tudo o que foi visto, o cineasta encerra o seu empolgante experimento.

Neste caso, em que a inventividade vence o desenvolvimento disforme, é preciso saber valorizar a passionalidade da condução e a volatilidade de tom. O coração do filme está nos impulsos energéticos, nos cortes absurdos, nas corridas estrada a fora, nas perguntas, sem se importar com as respostas.

RATING: 75/100

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