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cinema | poesia | verdade

O Homem Que Vendeu Sua Pele (الرجل الذي باع ظهره)

Kaouther Ben Hania. Tunísia, 2021.

Para reencontrar sua amada, Abeer (Dea Liena), Sam Ali (Yahya Mahayni) aceita submeter-se ao novo projeto de um ambicioso artista plástico. Deslumbrado pela possibilidade de superar os empecilhos da vida de refugiado, o protagonista embarca em um compromisso que transforma sua forma de viver de maneira inimaginável.

O Homem Que Vendeu Sua Pele é um filme frio, seus personagens são distantes e, na maior parte do tempo, apáticos. Mas a crítica social, que representa o coração da obra, é construída por meio de metáforas interessantes, embora óbvias. Ao tecer seus comentários sobre a lógica capitalista que engloba a criação e o comércio da arte e atrelar tais tópicos à um tema mais controverso como é a política de refugiados na Europa, a diretora atinge a complexidade temática que dá sentido ao projeto.

De forma bastante escandalosa e até perturbadora, o roteiro explora a dualidade entre o transporte de mercadorias e a circulação de pessoas entre territórios e, apegado a tal premissa, constrói uma crônica sobre objetificação humana elevada a um grau extremo. Esse tom de absurdo permanece na narrativa a partir do segundo ato, adicionando uma camada quimérica à obra. A sub-trama romântica, no entanto, só atrapalha o andamento e destoa, em tonalidade, da história principal.

Não deve-se desmerecer a execução bem estruturada e visualmente instigante da cineasta, que peca justamente ao não transferir essa complexidade para a construção de suas personagens as quais, por vezes, podem parecer vazias ou aquém do esperado para as situações montadas pelo roteiro. A conclusão é bastante anticlimática e não merece sequer ser levada em consideração pois prejudica substancialmente o filme, como um todo.

Kaouther Ben Hania utiliza-se de uma premissa cativante para, com falhas pontuais, desenvolver uma história que atende à maioria das expectativas, mantém o espectador interessado e proporciona uma experiência surpreendentemente cinematográfica tendo em vista a natureza da história. É uma experiência promissora para a cineasta e, com certeza, um marco para o cinema da Tunísia.

RATING: 72/100

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