1001 Filmes

cinema | poesia | verdade

The World To Come

Mona Fastvold. Estados Unidos, 2021.

Meados do século 19, na costa leste estadunidense, duas mulheres compartilham um laço de paixão e segredo, que se intensifica conforme o calor primaveril adentra pelos limites da propriedade.

Há uma delicadeza pálida e ressentida na maneira de Mona Fastvold contar esta história, apegando-se uma promessa de calor que é frequentemente sufocada pela neve de março. Trata-se um conto de paixão reprimida que abusa ao exigir demais da imaginação do espectador, restringindo-se repetidamente em suas linhas de desenvolvimento, parando no tempo.

O estilo que emoldura a obra se sobressai a partir dos silêncios desconcertantes e dos cenários bucólicos, mas a narração agoniada e verborrágica perturba a atmosfera contemplativa. Em meio a este conflito de estados espirituais, Abigail (Katherine Waterston) flutua entre olhares, perfeitamente ilustrados na expressividade irresistível da atriz – ora condescendes, ora curiosos, mas sempre embargada por uma letargia depressiva.

Em sua maior parte, o longa se sustenta na química tímida entre as protagonistas que, embora instigante, raramente encontra espaço para brilhar. Essa falta de elementos de interesse, aliada ao ritmo desnivelado, prejudica a imersão até que o toque de agressividade do terceiro ato finalmente arremata o espectador, mas já tarde demais.

A narrativa, como as amantes, tem seus impulsos cerceados pelo esplendor belo e opressor daquele tempo e daquele lugar, embaralhando-se numa bola de neve de expectativas frustradas. É um retrato exuberante e triste do segredo, do desejo e da saudade.

RATING: 58/100

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