
Ben Wheatley. Reino Unido, 2020.
Após um romance de verão que culminou em um pedido inesperado de casamento, a Sra. de Winter (Lily James), acompanha seu marido, Maxim (Armie Hammer), de volta à mansão onde reside. Alí, ela terá de lidar com a Sra. Danvers (Kristin Scott Thomas), governanta ainda leal à antiga esposa de seu companheiro.
A nova adaptação de Rebecca, dirigida por Ben Wheatley é, no mínimo, anticlimática. Há uma evidente dificuldade em aproveitar a construção instigante das personagens da história original, desaguando o desenvolvimento da narrativa em um plot twist arruinado, sem impacto algum. É certo, no entanto, que não é um resultado desastroso, ainda podendo ser aproveitado como opção de entretenimento quando afastadas as naturais comparações com a obra (indiscutivelmente superior) de Hitchcock.
Direção de arte e figurino não são destaques apenas do campo técnico da produção, mas são, estritamente, os únicos aspectos realmente bem executados, que elevam a obra precariamente conduzida. As dificuldades da realização também refletem na direção de atores: performances desinteressantes, nulas, algum destaque positivo – quem sabe – para Kristin Scott Thomas em uma ou outra cena. E nada mais.
Suspense, romance, pimenta, falta ascender a força palativa do cinema, dar cores ao roteiro, sair da zona da facilidade, do insosso. A falta de tempero implica, ao menos, em um longa bastante digesto, fácil de assistir, talvez pela inércia que cause no espectador ou então pela proposta atraente a primeiro momento.
Rebecca falha ao abrir mão drasticamente da força dramática da obra de Daphne du Maurier. Seja o que for que o cineasta tenha escolhido para preencher essa lacuna, não funciona, fica insuficiente. Nem a sensualidade é trabalhada de forma a despertar algum tipo de intensidade e envolvimento. Mas vale dizer, nada terrível para adição em catálogo, entretenimento comedido de fim de noite.
RATING: 50/100
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