
Liu Ze. China, 2020.
Xian Tian (Tang Xiaoran) volta à sua cidade natal para cuidar de seu pai que sofre de Alzheimer. Ela tem esperanças de que possa ajudar a reconfortar sua família neste momento de dificuldade. Com o avanço da doença, a protagonista se vê obrigada a escolher entre priorizar a si mesma ou aos seus pais.
Um melodrama familiar sobre aceitar a mortalidade, as limitações. O realismo severo, mas nunca frio, impõe uma reflexão profunda sobre a incapacidade de carregar certos pesos, sobre frustração e, enfim, conformidade.
Trata da abnegação de Xian Tian sem recorrer a um romantismo óbvio, mas ainda valorizando sua qualidade poética. Mas há certa beleza neste sofrimento, uma evidente demonstração de força e amor ao aceitar o fardo. E a narrativa lida de forma matura ao entender, na maioria das vezes, aqueles que optam pela alternativa mais egoísta. O ponto central é a situação emaranhada: quem permitirá que seus sentimentos sejam frustrados? Quem está disposto a entregar à vida àquela função, por mais que haja boa vontade?
Comovente e recheado de cenas devastadoras no campo do drama familiar, o longa ainda encontra formas de tangenciar outras questões inevitáveis que poderiam ser facilmente negligenciadas, mas que o cuidado do roteiro faz questão de mencionar. Nesse sentido, também é sobre o papel da mulher naquele contexto cultural, em especial sobre a mulher solteira e sua função em relação à família. E por que não citar a questão da vergonha e da dignidade do pai, submetido a tal situação?
As discussões sobre responsabilidade familiar e cuidado, tão presentes na cultura chinesa, são abordadas sob uma ótica de afeto, de voluntarismo, apresentando um paradoxo entre afastar e agarrar a tradição. Com uma delicadeza impressionante, a direção olha para a protagonista a fim de sedimentar sua personalidade em uma base de verdade, de humanidade e esse é toque de distinção que eleva a obra.
RATING: 74/100
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