
Miranda July. Estados Unidos, 2020.
Old Dolio (Evan Rachel Wood), durante os seus 26 anos de vida, foi criada para ser uma golpista profissional. Com pais emocionalmente distantes e abusivos, ela não desenvolveu a habilidade de compreender sentimentos de ternura, até que a chegada de Melanie (Gina Rodriguez) causa uma ruptura crucial na perspectiva de mundo da protagonista.
Comédia heist que se transmuta em um drama familiar e por fim em um romance coming-of-age, Kajillionaire encontra sua unidade na ideia de como amar um filho adequadamente, como estimular, expressar cuidado e carinho. A impressão de “half-baked film”, no entanto, fica estampada em cada nova zona que o longa tenta adentrar, impedindo uma experiência de imersão completa.
Apesar das performances carismáticas, principalmente da protagonista, Evan Rachel Wood – que trabalha muito bem para criar o senso de desconforto constante, as personagens, com a exceção de Old Dolio, são rasas e previsíveis, com motivações fracas e incertas. A mudança brusca no foco da narrativa também não ajuda a encaminhar os elementos apresentados de forma sólida e conclusiva, restando tão somente promessas e saídas pela tangente.
Há, deve-se dizer, uma sensibilidade especial para tratar dos assuntos referentes à disfunção familiar, principalmente pela perspectiva de Old Dolio, o que eleva o filme na medida em que a protagonista redescobre a si mesma e o mundo ao seu redor. A direção cria importantes momentos de exposição que aprofundam e adicionam nuances a sua personalidade reativa e deslocada.
Desequilibrado uma hora ou outra, mas cativante, Kajillionaire é uma jornada afetuosa desde a apresentação de uma figura misteriosa, alienígena à realidade, até a epifania de finalmente reconhecer-se em seu próprio corpo.
RATING: 61/100
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