Darya Zhuk. Bielorrúsia, 2018.

Na Bielorrússia da década de 90, a jovem Velya (Alina Nasibullina) sonha em se mudar para os Estados Unidos, por considerar-se mais apta ao estilo de vida e à cultura estadunidense. Para tanto, ela precisa obter de um visto que permita sua entrada no país, tarefa que se revela substancialmente difícil.
A diretora Darya Zhuk nos leva à Bielorrússia de 1996, antiguadamente colorida, industrialmente opressora. Aquela Minsk é ainda extremamente conectada ao seu recente passado soviético mas é, também, onde gradualmente se vê manifestações de uma contracultura resultante da abertura política para com o ocidente capitalista.
Em um polo está Velya, uma vítima da disputa ideológica latente que pairava pelos Estados da recém superada URSS, um novo espectro que os rondava. Ela não guarda o vínculo revolucionário visceral pela pátria, como sua mãe, ela é seduzida pela liberdade que tanto lhe faz falta, ela é jovem e precisa se expressar. No outro polo está a estática Bielorrússia de 1996, que permanece sob o véu de fumaça que seus muros não puderam dissipar em tão pouco tempo.
Crystal Swan é, na verdade, uma provocação mútua entre gerações, é sobre um processo de movimentação social muito lento para romper com a hegemonia cultural instaurada. É o choque irremediável entre aqueles seduzidos pela modernidade do capital, mais antiga que o próprio passado, o sonho americano, a house music e aqueles leais ao processo revolucionário, a pátria, esses que acreditam que a Bielorrúsia é seu karma e que não passar fome é o suficiente.
É um filme sobre ser jovem em um ambiente avesso à juventude, sobre errar em um lugar onde não se admite o erro, sobre gritar no império da censura. É, em suma, sobre nadar contra a correnteza. Que seja para um lugar melhor ou pior, o que importa é o jovem e inconsequente desejo pela mudança.
RATING: 78/100
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