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cinema | poesia | verdade

#26. Rango

Gore Verbinski. EUA, 2011.

Rango (Johnny Depp) é um lagarto doméstico que se perde de sua família e em acidente de carro. A conjuntura leva-o para a cidade de Dirt, lugar que emula uma espécie de faroeste contemporâneo para animais. Lá, ele e os locais enfrentam uma profunda crise hídrica que vem se agravando cada vez mais nos últimos tempos.

Uma sucessão de incidentes e coincidências colocam o carismático e malandro protagonista em uma instigante caricatura de faroeste bizarra e confusa. É uma pretensa metáfora que não conecta bem seus elementos, em termos de história, mas que se apresenta por meio de uma animação excelente, criativa e muito estimulante visualmente.

Rango é um western animado um pouco mais ácido do que as animações convencionais. Sua mensagem, meio capenga mas quase premonitória, perpetua-se brilhantemente naquele estilo seco e cru de realismo beirando o asqueroso, com uma especial riqueza de detalhes nas texturas macilentas. As cenas são quentes, empeiradas, transpirantes, sedentas e os personagens são assustadoramente feios.

É um estilo ousado de apresentar uma animação mainstream, mais audaz ainda é tratar de temas espinhosos para o público infantil, como, por diversas vezes, a morte, sem escarcéu e sem maquiagem e, em outras tantas cenas, a violência. Tudo indica uma liberdade artística que, embora bem aproveitada na construção da estilística do filme, peca apenas em utilizá-la para aprofundar alguma tese.

Rango é uma animação que ousa ultrapassar limites tradicionais do gênero e, pela sua coragem e liberdade de desenvolvimento, consegue construir uma obra inventiva e engenhosa. Utiliza-se, muito bem, da sátira como principal linguagem da narrativa, equalizando todos os aspectos do filme e amarrando um estilo próprio.

RATING: 70/100

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