Anusha Rizvi. Índia, 2010.

Natha (Omkar Das Manikpuri) e Budhia (Raghubir Yadav) são dois irmãos que compartilham uma propriedade rural no interior da Índia. Para não perderem suas terras, os irmãos precisam pagar ao banco a dívida referente a uma hipoteca que gravou ônus ao imóvel. Sem dinheiro, eles discutem a possibilidade de cometerem suicídio para que a família possa recolher o subsídio que o governo destina aos parentes do falecido.
Uma tragicomédia política colorida mas empoeirada, vívida mas mórbida, extremamente indiana. É a história de dois homens do campo indianos, enfrentando um dilema obscuro e frequente para sua casta: o suicídio. Mais do que isso, o filme gira em torno da supressão do indivíduo, em sua dimensão humana, de suas necessidades e particularidades, em prol dos interesses de uma classe política profundamente corrupta e uma imprensa oportunista.
Para construir essa comédia do absurdo, a diretora humoriza as nefastas condições de vida da população miserável na Índia, bem como o descaso cínico e sem remorso das autoridades, em um ritmo que beira o improprio em diversas ocasiões. Todas as questões tangenciadas pela trama guardam, como ponto de intercessão, esta vulnerabilidade patológica da casta inferior indiana, que representa a maioria da população, perante a minoria dominante.
É uma sátira instigante sobre esquecimento e apatia, sobre gritar por socorro e sobre desigualdade. É um filme que denuncia uma sistemática política e social eivada pelo descaso e pela decadência humana e, ainda, que prevê o colapso iminente de cada família rural indiana, que não tem escolhas para além da miséria, o suicídio ou a imigração para as áreas urbanas, onde viverão um outro tipo de exploração.
O maior mérito de Rizvi é encontrar uma linguagem cinematográfica adequada para demonstrar as questões que afetam seu povo. É, ainda, propor uma reflexão sobre a individualidade e a dignidade da pessoa humana em um país extremamente populoso e pobre. Quanto vale um homem quando se tem tantos?
RATING: 61/100
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