Benjamín Naishtat. Argentina, 2018.

Em uma pequena província da Argentina do começo dos anos 70, a vida do advogado Cláudio (Darío Grandinetti) se complica depois de um incidente com um rapaz em um restaurante. A sucessão de eventos acompanha a trajetória das truculências políticas que assolaram o país naquele momento.
Naishat pinta um retrato da sociedade argentina dos anos 70 que, em sua visão permitiu o golpe de estado que originou uma sanguinária ditadura militar para tutelar os interesses imperialistas estadunidenses sob o país, e a America Latina, como um todo. Ele demonstra como aquela frágil democracia, há muito, já se encontrava debilitada pela doença silenciosa e letal que é o fascismo.
Para tanto, o cineasta projeta a charmosa Argentina daquela década, sob um amarelado triste e ruídos atordoantes, na qual vai desenvolvendo várias subtramas para contextualizar a dinâmicas das castas daquele contexto. O pano de fundo, o período pré-golpe, vai se manifestando pontualmente, em palavras não ditas, vazios, desertos sangrentos, perguntas sem explicação e na figura pitoresca do interventor federal.
Aos poucos, a trama central vai indo de encontro com contexto histórico, até colidir em um desfecho que acusa o caráter daquele momento: a censura, a supressão do Estado de Direito, a justiça desvendada, com visão perfeita, proclamada em nome de Deus. Toda aquela armação em nome do império, pelo prazer de ajoelhar-se perante o senhor, de obedecer, de entregar o mate aos cowboys, a colônia à sua nova metrópole.
Vermelho Sol é um suspense intrigante com um insight interessante no contexto social argentino que culminou no golpe contra Isabelita Perón e a democracia. É um cinema que tem muito a dizer e o diz com muita acidez e eloquência, honrando sua função na construção de uma sociedade crítica, que não esquece seu passado.
RATING: 78/100
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