1001 Filmes

cinema | poesia | verdade

#23. Sala Verde (Green Room)

Jeremy Saulnier. EUA, 2016.

Uma banda de punk-rock realiza um concerto em uma casa de shows de inspiração skinhead. Após determinado incidente, os músicos se vêm presos em uma arapuca, na qual se tornam alvo da violência e da barbárie de um grupo de supremacistas brancos. Eles deverão que lutar para escapar com vida da complicada situação.

Jeremy Saulnier cria uma experiência de terror imersiva, sem inovação ou subversão aos clichês do gênero, mas com um tratamento cinematográfico habilidoso para contornar esses elementos comuns e utilizá-los a favor da narrativa que pretende desenvolver.

Há atitudes estúpidas, viradas convenientes, muita claustrofobia, alguns jump-scares, toda fórmula batida que produziu uma infinidade de filmes de terror, quase sempre muito ruins, nas últimas duas décadas. Mas o diretor maneja uma mistura divertida de todos esses lugares comuns para camuflar as falhas que poderiam, eventualmente, desconcentrar toda a tensão que dita o clima do longa.

Há também um sub-desenvolvimento resultando de um ritmo um pouco rápido demais nos segundo e terceiro ato. Mas a história chama atenção para si e embala o espectador de volta naquele universo sujo e pesado, já bem conhecido no gênero. É mérito do cineasta, também, a escolha esperta de seu vilão, haja vista não existirem tantas barreiras socio-morais que impeçam o espectador de embarcar, sem resistência, na repulsa contra grupos de inspiração nazista.

No fim, Sala Verde ainda se destaca entre os filmes de terror da década pela proeza de, mesmo passando por todos os esteriótipos, ter uma execução que eleve bastante o produto final, fruto de uma direção esperta e habilidosa. É mais um exemplo do cinema independente como saída definitiva para o marasmo que sufocou o gênero nos últimos anos.

RATING: 62/100

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