1001 Filmes

cinema | poesia | verdade

#21. Honeyland

Ljubomir Stefanov, Tamara Kotevska. Macedônia, 2019.

Nas montanhas da Macedônia, Hatidze Muratova é uma das poucas apicultoras restantes, que segue as práticas das antigas tradições locais. Hatidze, que mora sozinha com sua mãe na isolada localidade, tem uma surpresa com o aparecimento de vizinhos, uma grande família de pecuaristas que não tem o mesmo respeito de Hatidze pela harmonia natural.

Em seu cerne, Honeyland retrata um excerto do processo evolutivo do ser humano através da história de uma mulher. Trata da sabedoria popular que se ocupa em manusear a natureza, uma urgência humana primitiva para aperfeiçoar seus conhecimentos, adaptar-se ao seu habitat. E para tanto, a obra leva a uma realidade tão diferente, tão inacessível, mas também tão basilar e familiarmente ancestral que a própria condição de ser humano do espectador permite um diálogo com a narrativa.

O insight na vida daquele mulher, Hatidze Muratova, criadora de abelhas, sábia, técnica; é natural e instintivo. A plenitude de Hatidze, o respeito à natureza e suas leis (metade para você, metade para mim) são inspiradores, são os princípios básicos da harmonia que permitem a coexistência das espécies. Ali o destino parece ser escrito por um dramaturgo, não há a mínima necessidade de roteiro, pois a vida da simples camponesa não é simples, pelo contrario, a camponesa e sua vida são complexas, há (muita) beleza e há (muita) dor, nada acontece mas acontece tanta coisa.

O vizinhos, as abelhas, a mãe, tudo vai, tudo muda; mas ela fica, porque tem que ficar, por que leva o mundo nas costas e porque a sua sina é mais antiga do que ela própria. O mel custa 10 euros e a solidão de Hatidze, mas ela vai sobreviver, ela tem que sobreviver.

Honeyland não parece um documentário. Sua estrutura fora do convencional mas aparentemente simples é adequada para filmar uma realidade fora do “convencial” e aparentemente “simples”. A verdade é que, tanto o filme quanto a realidade vão além: há uma competência técnica, uma entrega poética, uma dor inerente; coisas que os documentaristas e a apicultora dividem.

RATING: 74/100

inscreva-se

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre 1001 Filmes

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading