Jan Komasa. Polônia, 2019.

O jovem Daniel (Bartosz Bielenia) acaba de sair da prisão e deseja seguir o caminho do sacerdócio mas é marcado por sua sina de egresso, que lhe fecha as portas de todos os seminários. Quando tem a oportunidade de exercer, mesmo que ilegalmente, sua vocação, decide aproveitar para evocar uma sincera transformação espiritual em um pacato povoado.
É um filme sobre amor profundo, sobre uma jornada de evolução espiritual dentro do campo da racionalidade e dos limites materiais da fraude do sacerdócio. Daniel sempre age com a genuína intenção de curar, pelos meios mais mundanos e obscuros da juventude marginalizada; ali manifesta-se o verdadeiro espírito do Cristo, em um corpo sujo, tatuado e drogado.
O protagonista, já preso nos entraves “burocráticos” exigidos para quem tem no sacerdócio sua vocação, decide engajar-se em oferecer àquela comunidade uma experiência brutal de transformação. Um tapa doloroso, desconfortável de empatia, de perdão, experiência verdadeira de abnegação e amor cristão.
É devastador assistir a performance visceral de Bartosz Bielenia desenvolver o duro (e brilhante) roteiro, o sacrifício em nome de uma verdade espiritual tão essencial. Ainda, é desesperador ver o quanto dói expor a hipocrisia e, mais ainda, o quanto é necessário. É preciso um constante exercício dialético com a fé para seguir um caminho de evolução e verdade.
O que Corpus Christi faz é caminhar bêbado entre a heresia e a santidade, as vezes ocupando ambas as vias aos mesmo tempo; é despir-se de uma moral forjada para encontrar, no fundo do ser, o verdadeiro sacerdote, o verdadeiro espelho do Cristo na terra, seu corpo.
RATING: 94/100
Deixe uma resposta