Paul Feig. EUA, 2011.

Annie (Kristen Wiig) vive uma vida muito aquém do esperado para uma mulher de sua idade e sempre falha na missão de corresponder ao que dela se espera. Quando sua melhor amiga, Lilian (Maya Rudolph), fica noiva e escolhe Annie como uma de suas madrinhas, ela acaba tendo que enfrentar tantas daquelas expectativas e rituais nos quais sempre falhou para não decepcionar sua amiga.
Missão Madrinha de Casamento é bom exemplo de comédia pastelão que carrega uma finalidade enquanto arte comunicativa, que realmente tem algo a dizer. Do início ao fim, o filme vai desconstruindo os mitos da feminilidade e retratando, de forma cômica, as dores que uma mulher de meia idade sofre para encarar o lugar que lhe cabe na sociedade.
O roteiro, engraçado e inteligente, constrói esses arquétipos de mulheres, com bases e vidas bem diferentes, mas que, irremediavelmente, assemelham-se em certo ponto. O papel social da mulher é um desafio para todas elas, mesmo aquelas que melhor se adequam aos esteriótipos de gênero, ou ainda que aceitam ou se saem melhor nas escolhas de vida que delas se esperam; há sempre uma abnegação pessoal por trás de suas personas.
Para comédias do tipo, histéricas e rápidas, é raro ver personagens complexos como Annie, que realmente dialoga com as mulheres da vida real, que tem uma profundidade para além da performance engraçadíssima (e também dramática) de Kristen Wiig. Tal resultado é devido, principalmente, a uma atuação de qualidade, com domínio da comédia e um roteiro que soube desenvolver suas personagens.
Missão Madrinha de Casamento dá um passo a mais, em relação às puras comédias de massas da atualidade e consegue desenvolver, muito bem por sinal, um ponto de discussão bastante relevante para o contexto histórico no qual foi feito. É muito engraçado e carrega um valor emocional que justifica a sua existência enquanto obra.
RATING: 75/100
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