1001 Filmes

cinema | poesia | verdade

#13. O Insulto (L’Insulte)

Ziad Doueiri. Líbano, 2017.

Uma briga de rua entre um libanês cristão e um palestino muçulmano transforma-se em lide nos tribunais de Beirute ao abrir feridas profundas de dois povos historicamente violentados. Esse processo, irremediavelmente, terá de levantar problemas jamais resolvidos e dores profundamente reprimidas.

É comum um filme construir sua narrativa explorando a experiência pessoal de um indivíduo em determinado contexto histórico. O principal mérito de O Insulto é retratar representantes das duas perspectivas históricas em confronto e, principalmente, fazer isso de maneira muito sensível mas ainda poderosa.

Em meio a um eletrizante suspense de tribunal, o roteiro vai, pacientemente, descamando as camadas das personagens, suas dores, suas motivações, seu passado, seus princípios, tudo que aquela história de sofrimento construiu, as paredes que a guerra e o genocídio levantaram. São tantos temas sensíveis, feridas abertas que condicionam os protagonistas a se odiarem que a empatia entre eles parece uma alternativa impossível, mesmo seguindo uma doutrina de bondade, mesmo preservando um senso de justiça.

O elenco excelente retrata como aquele mal original vai se propagando, envenenando cada pessoa que se envolva na contenda, ele precisa apenas de um simples gatilho para se manifestar. Para sanar a ferida, há penas uma alternativa: não ter medo de dizer o passado, mesmo doendo, é preciso relembrar, é preciso mitigar aquele sofrimento, tanto a nível pessoal quando a nível nacional e histórico.

O Insulto estabelece um plano de fundo simples para apreciar questões bastante complexas. Cada nova informação que o diretor coloca na equação, é uma facada no espectador, sempre no ritmo perfeito para se processar e assimilar, no todo, cada uma daquelas dores.

RATING: 96/100

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