1001 Filmes

cinema | poesia | verdade

#10. No

Pablo Larraín. Chile, 2012.

Devido à forte pressão internacional, a ditadura de Augusto Pinochet é forçada a convocar um plebiscito para validar o seu regime por mais oito anos. Pela primeira vez, a oposição tem espaço para denunciar os crimes da ditadura. Reneé Saaverdra (Gael García Bernal), publicitário, é chamado comandar a campanha do NÃO ao regime.

Larraín faz muito bem em retratar a tensão e medo velado da situação, do desconhecido: pela primeira vez, em tantos anos de uma ditadura sanguinária, seria possível criticar abertamente o governo Pinochet. A todo momento paira sobre o ambiente as dúvidas sobre os limites dessa liberdade, a euforia com a mínima esperança de mudança e, ainda, o impasse sobre como tirar um saldo político positivo daquela oportunidade.

Por um lado, o plebiscito poderia ser facilmente fraudado e a existência da campanha do NÃO validaria qualquer que fosse o resultado, por outro lado, a recusa em organizar uma campanha, além de entregar a votação facilmente para Pinochet, seria desperdiçar uma oportunidade conquistada a duras penas. O cineasta faz questão de escancarar que a vitória da democracia foi resultado direto de uma reinvenção da esquerda ao demonstrar que René utilizava-se de métodos inerentemente capitalistas para viabilizar a campanha.

Aquela fotografia dolorosamente íntima para quem guarda familiaridade com a America Latina de algumas décadas atrás, a cautela de René, a barbárie naturalizada, tudo cuidadosamente preparado pelo cineasta que consegue remontar, de forma impressionante, aquele momento de quebra do silêncio mudo de censura e medo.

A sensibilidade que Pablo Larraín demonstra para tratar de um período tão doloroso é comovente. NO é insight interessantíssimo nos bastidores da campanha que mudou os rumos do Chile, retirando-o das mãos da tirania. Mais uma vez, o cinema reafirma seu compromisso insuperável com a liberdade.

RATING: 90/100

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