Corneliu Porumboiu. Romênia, 2019.

Um esquema de lavagem de dinheiro leva o policial Cristi (Vlad Ivanov) à ilha de La Gomera, na Espanha, para aprender uma antiga linguagem de assobios (Silbo Gomero), com a qual far-se-á a comunicação da quadrilha. No meio do caminho ele encontra Gilda (Catriel Marlon) com quem adquire uma conexão.
Neo-noir romeno sensual, o maior mérito de The Whistlers é desenvolver uma estrutura cinemática, não necessariamente original, mas autêntica. A ideia também é interessante: utilizar uma tradicional linguagem de assobios para enganar a polícia: é um conceito único e estranho, e Porumboiu não desperdiça o seu potencial de entreter.
Ele fragmenta sua história em um punhado de perspectivas e, com muita competência, transforma em filme com alto valor cinemático. O roteiro é bom, com uma progressão interessante principalmente no inicio, até chegar a um ponto no qual a mais absurda reviravolta é perfeitamente esperada e ocorre já sem grande surpresas, retirando parte de sua eficácia.
Felizmente, o longa reúne boas qualidades: há nuances, assobios, bons personagens, boas performances (Catrinel Marlon, em especial), uma montagem rápida para ditar a dinâmica que o roteiro precisa para funcionar, uma boa quantidade de referências cinematográficas: um trabalho competente do cineasta romeno.
Apesar de não mergulhar em qualquer tema que seja, a obra funciona bem como neo-noir acima da média, preservando uma atmosfera intensa, quente e misteriosa para carregar a absurda história.
RATING: 62/100
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