1001 Filmes

cinema | poesia | verdade

#11. Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood)

Richard Linklater. EUA, 2014.

Uma mãe solteira, Olivia (Patricia Arquette), tenta criar seus filhos. A história segue com enfoque no garoto Mason (Ellar Coltrane), acompanhando todos os seus momentos, grandes e pequenos, durante o decurso de 12 anos, examinando, entre outras coisas, a relação com sua família enquanto cresce.

O cinema tem tantas finalidades e formas de se materializar, desde os meios mais tradicionais, tomados diversas vezes por tantos cineastas diferentes, as vezes para bem, as vezes para mal; até as formas mais autênticas e singulares de faze-lo, que também podem ou não funcionar. Em Boyhood, a experimentação é bem sucedida. É um cinema contemplativo, sem grandes momentos ou técnicas aguçadas, mas que atinge o feito fundamental de, na simplicidade, encontrar a beleza, encontrar fundamento.

Dentre todas as formas de comunicação e aprendizado que o cinema proporciona, retratar uma demonstração sobre um estilo de vida em determinado contexto sócio-cultural é uma das mais ricas: é o perfeito relato histórico do presente, é um documento. Aqui, a câmera é um espírito que acompanha Mason, que o contempla, desde suas atitudes mais cotidianas e ordinárias até os grandes feitos de sua vida, proporcionando a experiência única de observar um ser humano crescer 12 anos em menos de 3.

A experiência de conviver por 12 anos com alguém cria laços emocionais que não podem ser escondidos das câmeras, eles transbordam a tela e dialogam com uma parte muito pessoal do espectador; são os sentimentos primitivos comuns a todos os seres humanos. E ser testemunha de todos aqueles momentos, em parte reais, é um vinculo muito importante, muito intimo, não apenas para quem os vivenciou no set de filmagens, mas para quem, todos os dias, tem a a oportunidade de assisti-los.

Boyhood proporciona uma experiência cinematográfica muito crua e íntima, uma relação orgânica e verdadeira entre a equipe, o filme e o espectador. É o retrato da vida nua, ordinária, sem maquiagem ou efeitos especiais, sem uma premissa que faça o filme fluir, nada. A vida e mais nada.

RATING: 98/100

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