Durante a Primeira Guerra Mundial, os habitantes de uma pequena cidade inglesa encontram no coral local a única forma de preservar a humanidade em meio ao caos. Entre perdas, segredos e silêncios, The Choral revela a arte como último refúgio possível.

The Choral não poderia ser mais britanicamente ordinário. É um drama histórico inglês como tantos populares nas décadas de 1990 e 2000 — competente na forma, mas raso no conteúdo.
Acompanhamos a história de um coral em uma pequena cidade do interior da terra anglicana durante a Primeira Guerra Mundial. O enredo só não se torna completamente entediante graças à montagem fluida, ainda que o corte final insista em conservar trechos dispensáveis, que pouco ou nada acrescentam à trama.
Há, no entanto, alguma força na mensagem central: trata-se, fundamentalmente, da arte como resistência. Como o cacto que floresce no deserto, esses personagens provincianos recusam-se a deixar o coral morrer mesmo diante das perdas impostas pela guerra.
O filme também ensaia uma breve, mas relevante crítica à abordagem dogmática da arte — aquela que, ao ignorar os anseios humanos do presente, termina por desagregar em vez de unir.
Parte considerável da narrativa é dedicada a um grupo de jovens prestes a serem convocados, que se unem ao coral mais por curiosidade sexual do que por interesse artístico. É uma trama puramente distrativa, carente de peso emocional e que poderia ceder espaço a outra, muito mais instigante: a da sexualidade do maestro Dr. Guthrie e sua relação com o pianista — tema tratado de forma tímida e subdesenvolvida.
As atuações não são ruins, mas tampouco encontram profundidade. A culpa não é exatamente da direção de atores, mas de um roteiro que abandona suas histórias mais promissoras em favor das mais descartáveis.
Ralph Fiennes é o exemplo mais emblemático: é um ator de peso, que tem a densidade necessária interpretações com camadas e gravidade, mas recebe apenas migalhas de tempo para explorar sua personagem.
Essa escolha é lamentável, pois reside justamente aí a verdadeira ousadia do filme — aquela que a direção e a montagem parecem temer, preferindo sempre a discrição britânica e abafando as tramas menos “higienizadas”.
A fotografia segue o mesmo padrão: tradicional, às vezes bonita quando favorecida pela luz, outras vezes inexplicavelmente mergulhada em sombras e contraluz. Nenhum aspecto técnico se sobressai; tudo é cuidadosamente concebido para ser o mais inofensivo possível.
The Choral não é desprovido de virtudes, apenas tímido demais para mostrá-las. Sob uma superfície polida e conservadora, resta uma mensagem valiosa — sobre o papel da arte em tempos de barbárie: ser abrigo, refúgio e resistência para a sensibilidade humana.

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