Harry Wootliff. Reino Unido, 2021.
Kate (Ruth Wilson) é uma jovem mulher que vive em plena conformidade com as expectativas e normas sociais. Sentindo o peso do vazio cotidiano, ela conhece “Blond” (Tom Burke), um homem misterioso, recém-egresso da cadeia que poderá prover à Kate a mudança que tanto almeja.

“Coisas Verdadeiras” desenvolve-se sobre um alicerce particularmente desgastado. É uma história já vista, com personagens já vistos, com reviravoltas bem conhecidas: A mocinha tímida, carente e ingênua apaixona-se pelo bad boy abusivo e manipulador. É previsível, em suma. Apesar da corrosão conceitual, alguns elementos merecem destaque.
A construção das personagens, de início, é substancialmente rasa, sofrendo uma considerável progressão no último ato e, ainda que mantendo a previsibilidade, foi possível assegurar, já quase no fim do filme, um pouco mais de verossimilhança em comparação ao começo. Nesta conjuntura é a causalidade do “Blond” que oxigena a história, proporcionando, mesmo que de forma retraída, um senso de inesperado.
É difícil torcer pela heroína quando seu desespero e ansiedade, no limite da credibilidade, provoca tanto desconforto no espectador. No entanto, a protagonista é agraciada pela presença deslumbrante de Ruth Wilson e de seu olhar penetrante. Tal performance é o carro chefe da obra, sendo, sabiamente, muito bem aproveitada pela cineasta, que consegue colecionar alguns momentos emblemáticos aproveitando o talento da atriz e a composição imagética, cuja autoria lhe cabe.
É notável a tentativa de criar uma experiência sensorial imersiva, sendo efetiva vez ou outra mas sem nunca engatar de vez. São nos poucos momentos nos quais a diretora se permite ousar e balançar o esqueleto técnico da produção que sua visão brilha e finalmente justifica o sentido da existência da obra.
Finalmente, não se pode negar, deve-se dizer, que apesar da falta de surpresas e da narrativa formulaica, a relevância da história permanece intacta, vez que sua incidência na vida real é frequente.
RATING: 45/100
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