1001 Filmes

cinema | poesia | verdade

Open Door

Florenc Papas. Albânia, Itália, Kosovo, Macedônia; 2019.

Rudina (Luli Bitri) enfrenta uma longa jornada com sua irmã, solteira e grávida, Elma (Jonida Vokshi). Elas encaram o dilema de reencontrar seu pai, ainda alheio a gravidez da filha e que, terminantemente, não aceitaria sua condição. Ao longo do caminho, problemas próprio da condição feminina vão submergindo as protagonistas.

Open Door utiliza-se da experiência albanesa para demonstrar um ciclo de abusos, diretos e estruturais, que delega à mulher um papel subalterno e ingrato. As irmãs Rudina e Elma representam os resultados desta cultura de violência psicológica e abandono: a primeira endurece e desenvolve um olhar malicioso e calejado sobre a dinâmica patriarcal, a última, por sua vez, torna-se extremamente dependente pela fixação, que lhe fora imposta, de uma noção de incapacidade do seu eu. Ambas, no entanto, guardam entre si mais semelhanças do que diferenças.

A premissa é simples e a câmera espera paciente pelo desenvolvimento da narrativa, que caminha consistente mas sem grandes momentos. Há de se lamentar, devo dizer, a escolha de não intensificar alguns pontos de conflito que mereciam um tratamento mais aprofundado e que, por tal razão, falham na tentativa de prender o espectador, com entusiasmo, ao enredo. Neste sentido, o drama familiar, vez ou outra, acaba pendendo para um campo mais “água-com-açúcar”, frouxo.

Sem se preocupar com sutilezas, a obra caminha no sentido de retratar a solidão daquelas mulheres, preocupando-se em exaltar os momentos de cumplicidade. Trata-se de uma irmandade que, embora espinhosa, permanece fortificada pelo reconhecimento da mulher em cada uma das irmãs, das condições e da socialização que as levou até aquele momento.

Violadas repetidas vezes pela tradição, elas procuram um abrigo, portas abertas, uma abraço quente, maternal e por que não paternal? Finalmente, o espírito da mãe – e de todas as mulheres – é honrado, para expurgar, pelo menos por alguns minutos, a dor de se manter calada, ou pior, de consentir sem consentir.

RATING: 63/100

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