
Esen Işık. Suíça, 2019.
Uma história sobre perda, culpa e redenção, divida em dois eixos correlatos. De um lado, uma família muçulmana de classe média, vivendo confortavelmente na Europa, vê seu filho passar por uma lavagem cerebral que o transforma em um guerrilheiro. No outro polo estão dois irmãos refugiados na Turquia, depois de terem seus pais vitimados pela Guerra santa na Síria.
Uma reação em cadeia, estruturalmente viciosa, provocada por interesses espúrios. A direção de Esen Işık carece de intuição e impulso: a fórmula, repetida do início ao fim, vai esvaindo o poder da história conforme a progressão do roteiro, ao ponto que a abordagem intensifica a previsibilidade natural da situação.
Apesar dos problemas, as digressões funcionam, na medida em que respeitam a lógica da narrativa e dinamizam a montagem, mantendo um ritmo estável. Quanto aos demais aspectos técnicos, apesar do notável valor de produção, ficam prejudicados na função de criar verossimilhança na obra, em razão da direção engessada e repetitiva de tais recursos.
É verdade que falta substrato para explicar adequadamente a mudança radical de Burak. Não há tempo ou interesse para aprofundar a narrativa neste momento tão crucial. Outras escolhas parecem também inconsistentes, há momentos não tão necessários, mas ainda dentro da proposta, o que diminui o peso destas falhas.
Deve-se considerar, no entanto, que o longa tem um motivo de ser, e as intenções da cineasta devem entrar na equação. Há quem escolha a guerra, há quem, a ela, esteja condenado. E os caminhos se cruzarão, por isso há de se assumir a responsabilidade pelo sangue, pela narrativa escolhida, pela supressão do senso crítico.
RATING: 62/100
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