
Mira Fornay. República Tcheca, Eslováquia; 2020.
Jaroslav (Jaroslav Plesl), filho, pai e marido, é vítima da alienação parental promovida por sua esposa que utiliza dos filhos para chantagear o protagonista. A busca por seu objetivo sujeita Jaroslav à uma sequência humilhante de tarefas.
Cozinhar F*der Matar é um drama familiar surreal, obsessivo e depressivo que gira em torno de arquétipos precariamente desenvolvidos para ensaiar um estudo sobre as relações de dominação. É apresentada uma progressão de consequências que vinculam o protagonista, também obsessivo e depressivo, a uma odisseia perpetrada pela violência para poder rever seus filhos. Cada passo em direção à satisfação de seu objetivo inicial é condicionado a uma nova tarefa, particularmente degradante, para cada indivíduo envolvido na dinâmica.
Jaroslav tem dificuldade em corresponder aos padrões agressivos da masculinidade, mas nem por isso deixa de se beneficiar da lógica de abuso, quando a conjuntura o favorece, ainda que em forma de armadilha. A inaptidão da personagem para lograr os objetivos a ele impostos reflete na própria estrutura do longa: divido em ciclos dissociativos que representam ainda a violência sistêmica no âmbito familiar em repetição viciosa e que distorcem as relações de poder.
As motivações são incertas e muitas vezes limitadas aos impulsos das personalidades compulsivas, como uma maneira de irracionalizar a teia de abusos. Todas as partes deste jogo espúrio de interesses são guiadas pela perversão, a amargura e a letargia, assim como todos os caminhos são eivados pelo dolo e destinados ao iminente fracasso, imprimindo uma nota de desesperança à demonstração social pretendida.
A somatória de tudo é uma atmosfera de mofo e morbidez que celebra uma tese de decadência e loucura em um frenesi de ideias sub articuladas. É um exercício desconfortável e mecânico de convivência a partir de uma crítica, contundente mas pretensiosamente executada, ao abuso doméstico.
RATING: 44/100
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