
Magnus von Horn. Polônia, Suécia; 2020.
A influenciadora digital Sylwia (Magdalena Koleśnik) pretende inspirar seus 600 mil seguidores a viver uma vida mais saudável. A conjuntura por trás das câmeras, no entanto, mostra-se uma realidade bem distante do sorriso intacto que brilha nos stories.
O mundo, xucro, medíocre e perverso, que se ergue ao redor de Sylwia, violenta a protagonista a todo momento, seja pelas tantas formas de assédio vivenciadas diariamente ou pelo sorriso de fachada que é obrigada a sustentar, abafando um pedido desesperado por socorro. Perdida e desolada, ela vê sua humanidade esvair-se e luta, ainda que timidamente, agarrando-se ao telefone, ao cachorro, à mãe, ao stalker, na esperança de estabelecer um contato verdadeiro que a salve do desamor e da indiferença.
A dor muda, suprimida pela agenda lotada de uma vida compacta, embala o transe de endorfina que emoldura o longa. A energia da música alta dita o tom violento e poderoso de uma narrativa não convencional, enquanto o comportamento frenético da fotografia retorce a realidade e tenciona, feito músculo, o mundo de açúcar e fel da protagonista. E nesse ritmo ginástico, a direção logra momentos intensos e memoráveis, contornando a previsibilidade do roteiro e elevando a progressão do longa.
A performance simpática de Magdalena Koleśnik gera uma empatia desesperadora: ali tudo é caos, é barulho, é ataque… aquela persona já fragilizada fica a ponto de desmoronar e levar o espectador junto. O sofrimento latente da iminente quebra da parede dos bastidores, da ameaça que corre na coxia querendo revelar-se ao público, macula a existência de Sylwia, seja como imagem pública ou como ser humano e persegue o espectador, em forma de ansiedade, desde o início do longa.
Abrir-se ao mundo, conscientemente ou não, implica na obrigação de absorver opiniões, histórias, pessoas: carga difícil de suportar e haja suor para esfriar o corpo, embaçar o vidro, distrair a mente e sobreviver à euforia desenfreada na frente ou atrás das câmeras.
RATING: 77/100
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