1001 Filmes

cinema | poesia | verdade

#17. Animais Noturnos (Nocturnal Animals)

Tom Ford. EUA, 2016.

Susan Morrow (Amy Adams) recebe o manuscrito do livro de seu ex-marido, Edward Sheffield (Jake Gyllenhaal), que pede sua opinão sobre o trabalho. Ao ler a obra, Susan é levada a um universo que dialoga com seu próprio passado com aquele homem para reafirmar a infelicidade do seu presente.

Um emaranhado de histórias entrelaçadas, dispostas de um modo frio e calculado. Apresenta-se um mundo cruel, meticuloso e cheio de simbolismos, no qual o vazio emocional das personagens não inspira empatia do espectador, resultando em um cenário de completa desesperança para o desenrolar da trama.

É um visão de mundo pessimista e frivolamente melancólica sobre assistir a própria morte. É um conto sobre observar, impotente, do fundo da consciência, a sua persona tornar-se a própria materialização do fim, do óbito, da mãe, republicana e racista. A dramatização é a metáfora do livro. O livro é a metáfora da vida de Susan. E a vida de Susan é a metáfora do mundo, por isso a história não se encerra em si mesma, mas projeta para fora do filme seu ponto de vista cético e distante.

O livro é, também, a vingança, o exorcismo de uma dor muito internalizada, que por tanto tempo fora silenciada. É, ainda, o último prego no caixão de Susan, o atestado cabal de que a sua escolha foi errada, é a última humilhação, quase um deboche amargurado e cínico, mas que também é o meio pelo qual Edward assume sua parcela de culpa para aquele trágico fim.

Animais Noturnos utiliza-se de um excesso de estilização para representar um mundo imerso em uma profunda depressão sistêmica, que se alastra e recai sobre todas as peças do jogo, todas as pessoas que sucumbem àquele estilo de vida pré-programado. Exorcizar os arquétipos desta depressão é a única maneira de superar seus fantasmas.

RATING: 69/100

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