1001 Filmes

cinema | poesia | verdade

#7. Bacurau

Kleber Mendonça Filho, Juliano Dornelles. Brasil, 2019.

Pequeno povoado localizado no sertão nordestino, Bacurau, após sofrer a perda de sua matriarca, Dona Carmelina (Lia de Itamaracá), some do mapa e é alvo de um brutal ataque, sendo preciso evocar o espírito da comunidade para levantar a união necessária para a resistência vitoriosa.

Nessa distopia futurista terrivelmente próxima da realidade atual, o entreguismo chega a um ponto máximo, quando não há mais nada, o último bem a ser liquidado e entregue a mãos estrangeiras é o próprio povo. No entanto, aqueles que usurparam o rumo da nação não fazem ideia da força de quem aqui, de verdade, brotou, lutou e floriu.

Bacurau não gosta da guerra, mas dela não foge. Não há meio-termo, não há neutralidade, não há centro. Há nós e há eles, há esquerda e há direita, viver ou morrer (O que você quer?). Quem está conosco é Bacurau, quem não está, é bacurau achando que é eagle, coitados. Até parecem brancos, mas…

No final, Bacurau é o Brasil e viva o Brasil. Viva Marisa Letícia e Marielle. Viva Sônia Braga e Lia de Itamaracá. Viva Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Viva à resistência e o cinema nacional. Viva todas as Bacuraus que ainda sobrevivem, todas as que já foram, todas as que virão. Viva à luta incansável pela soberania e pela independência.

Bacurau é o pássaro brabo que sai a noite. É o Brasil de verdade, que não tem medo de mostrar quem é. É a resistência não apenas à fúria do predador mas ao próprio solo resseco o qual rompeu para existir, ao esquecimento, ao abandono, à invisibilidade, ao ódio e à dominação. É a central do Brasil e a vida invisível.

RATING: 98/100

inscreva-se

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre 1001 Filmes

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading