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cinema | poesia | verdade

Dois Dias, Uma Noite (Deux jours, une nuit)

Luc Dardenne, Jean-Pierre Dardenne. Belgica, 2014.

Sandra (Marion Cotillard) acaba de sair de um período de grave depressão e descobre está sofrendo um processo de demissão, cuja única forma de reversão é convencer seus colegas de trabalho a abrir mão de um bônus de 1.000 euros, votando para que ela permaneça nos quadros da empresa.

Uma Bélgica com alto índice de desemprego é o cenário perfeito para os irmãos Dardenne retratarem um sistema que abusa da austeridade para inibir a organização entre os trabalhadores. Neste conto, a empresa se utiliza dos próprios funcionários como mecanismo para dispensar Sandra, subvertendo toda e qualquer noção de consciência de classe e solidariedade.

Os cineastas demonstram a sistemática implacável de desunir e desumanizar os trabalhadores implementando uma lógica de medo e constante ameça. Evidencia-se como as corporações utilizam-se do provento econômico não apenas como troca pela força de trabalho, mas também como contenção a qualquer movimento que possibilite contrariar os seus interesses.

Cotillard, para retratar a mulher proletária, depressiva, em vias de demissão, atua de forma melancólica e desesperançosa, obrigada, pelas circunstâncias a viver toda aquela situação O constrangimento e humilhação que leva em seu rosto é retrato fiel ao sentimento de uma grande parcela da classe trabalhadora.

Dois Dias, Uma Noite embarca em uma moderna visão do conhecido conflito de classes, tão decrépito mas tão atual. É um estudo sociológico frio comandado por dois grandes maestros do comentário social através do cinema.

RATING: 84/100

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