
Glen Keane. China, Estados Unidos; 2020.
Fei Fei (Cathy Ang) é uma garota inteligente e com especial afinidade pela ciência, mas que ainda vive o luto por sua falecida mãe. Para encontrar a lendária Deusa da Lua e impedir que seu pai se case novamente, ela constrói um foguete e parte a caminho da lua.
Apesar da homenagem simpática ao folclore chinês, centrada da lenda da Deusa da Lua, falta gravidade à aventura cósmica de Fei Fei. Focando na superação do estado de luto da protagonista, o qual está vinculado ao romantismo próprio da infância, a narrativa enfrenta dificuldades para se manter interessante. O carisma insosso da menina esfria o entusiasmo, tanto quando as músicas redundantes.
A animação é charmosa e vibrante, evocando a característica espacial e futurista da história ao utilizar de cores vivas e fosforescentes em contraste com o vazio escuro do universo. Os acertos de estilo, no entanto, pouco ajudam a edificar o roteiro frouxo, recheado de personagens imemoráveis e apoiado em um nexo bastante fraco entre o objetivo e a missão de Fei Fei.
As premissas têm o seu valor mas são atropeladas pela confusão temática, que insiste em explorar linhas de luto, depressão e maturidade, sem imprimir um desenvolvimento aprofundado a nenhuma delas. O que fica é a ideia de por em pauta uma cultura contra hegemônica (no ocidente), protagonizada por uma figura feminina que reúne qualidades como determinação e apreço pela ciência. São ótimas intenções maculadas por uma realização problemática.
A Caminho da Lua trás ao centro do debate questões de tradição e cultura, misturadas a elementos de natureza existencialista. Tudo converge na figura da pré-adolescente Fei Fei e em uma notável dificuldade de homogeneizar os eixos temáticos explorados. O saldo positivo fica no passo dado na direção de contar histórias que seriam fadadas ao obscurantismo no cenário mainstream ocidental.
RATING: 49/100
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