
Jason Woliner. Estados Unidos, 2020.
Depois de 14 anos desde sua jornada pela América, o repórter cazaque Borat (Sacha Baron Cohen) volta à terra do Tio Trump para mais uma missão. Acompanhado por sua filha, Tutar (Maria Bakalova), ele deve entregar o macaco pornográfico ao vice-presidente, Mike Pence, para redimir a outrora gloriosa nação do Cazaquistão do vexame que ele causara em 2006.
É verdade que a fórmula já não é mais tão refrescante, mas a coragem continua, e desta vez avançando alguns passos no campo do absurdo e com provocações, quem diria, ainda mais diretas. A habilidade de Sacha Baron Cohen para provocar extremo desconforto permanece intacta. Mas agora o longa é agraciado por outra figura marcante: a presença genial de Maria Bakalova que, sozinha, dá motivo à sequência.
O timing é perfeito, irretocável: as vésperas da eleição americana, aparece a figura pitoresca para expor a hipocrisia e a ignorância republicana. É mais uma peça do Perfect Storm de Joe Biden e uma experiência verdadeiramente hilária para quem observa de fora. Como antes, o roteiro ainda brilha, explorando até alguns momentos de ternura, sem perder a qualidade cômica.
E no meio de toda loucura, o mais bizarro é ver – tão proclamados – cidadãos americanos comprando a narrativa absurda de Borat: prato cheio para Baron Cohen que, sem um pingo de vergonha, mergulha de cabeça naquele surto conspiratório. Ao final, um plot twist genial, capaz de dialogar tanto com o primeiro filme quando com o conjuntura atual de pandemia da Covid-19.
Terrivelmente constrangedor, mas deliciosamente inapropriado, a Fita de Cinema Seguinte de Borat, vai até as últimas consequências, provocando uma reação nervosa e indigesta no espectador. Ainda, justifica sua existência em uma abordagem mais humana e um momento político perfeito.
RATING: 79/100
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