
Davy Rothbarth. Estados Unidos, 2020.
Utilizando-se de 20 anos de gravações caseiras, o documentarista Davy Rothbart faz um recorte bonito e respeitoso sobre a vida da família Sanford. Eles dividem generosamente seus círculos sentimentais mais íntimos e suas dores mais profundas.
O cineasta convida o espectador a testemunhar 20 anos na vida daquela família, que aceita a câmera com naturalidade. Eles vivem, crescem, viram estatísticas, têm filhos, morrem, vão presos, expõem, sem titubear, feridas tão profundas e insistentes. Há um encanto especial em toda essa honestidade, ela cria um laço, uma horizontalidade que aproxima, imerge.
A edição escolhe momentos chave para desenvolver a narrativa, costurando elementos progressivos que norteiam o espectador até que desaguem no presente. A alternância no foco é reflexo direto da imprevisibilidade da vida e, desta forma, perfeitamente justificável. O destino de Emmanuel, por exemplo, é revelado brevemente, no início – decisão acertada da montagem, que imprime uma nota de pesar e expectativa durante toda a primeira parte.
A proximidade da câmera fragiliza aquelas pessoas, demonstrando suas vulnerabilidades. Elas amadurecem… lamentam seus vícios, expurgam seus fantasmas, tentar levar uma vida melhor, teorizam realidades paralelas, alternativas melhores. A empatia do espectador é evocada espontânea e naturalmente.
O que fica é um documentário inspirado e uma bela homenagem à memória de Emmanuel Durant Jr., que a merece tanto quanto qualquer pessoa que resista à lógica que empurra povo preto e pobre para a criminalidade.
RATING: 77/100
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