
Sandra Wollner. Áustria, Alemanha; 2020.
O android Elli (Lena Watson) é programado para suprir as necessidades psicológicas de um homem, o qual é chamado de pai pela inteligência artificial. Durante certa noite, no entanto, a protagonista sai de casa rumo à floresta, perseguindo um som estridente que a atrai.
Provocativa, a câmera testemunha o dilema moral, espia de longe o pecado e a nostalgia. Trata-se de desumanizar para sentir-se humano, impor as contradições de nossa natureza a um outro tipo de consciência, estabelecendo uma forma distinta de relação de afeto e poder, maculada, repetidas vezes, pelas vulnerabilidades de ambas as partes.
A própria montagem é envolvida pela conjuntura corrupta e melancólica e, embora poética ao lidar com as belas composições imagéticas, é decrépita, refletindo os tantos reboots de consciência de Elli, mas o ritmo fica prejudicado, principalmente na segunda metade da obra. Quando há pane no sistema, os grilos dão lugar a uma confusão estridente e metálica, potencializando os efeitos do design de som na construção de uma aparente psique da protagonista.
A abordagem da relação humano-inteligência artificial, já tão explorada pelo cinema e pela literatura, ganha uma nova face. Partindo de uma premissa hipotética que garante a possibilidade de desenvolvimento psicológico de um robô, a narrativa questiona a necessidade humana de projetar seus sofrimentos e seus desejos obscuros em uma figura semelhante.
Nascer para preencher vazios, absorver dores e curar feridas. É a existência humana aos olhos do robô: fria e pálida… uma colcha de retalhos, de lembranças recicladas e resignificadas conforme o caso, todas com saudade e cheiro de cigarro e protetor solar.
RATING: 52/100
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