Lorenzo Vigas. Venezuela, 2016.

Armando (Alfredo Castro), de 50 anos, é um solteiro com aparente fobia social, que tem o hábito de oferecer dinheiro a jovens rapazes, para que lhe realizem certos desejos. Um deses jovens é Elder (Luis Silva), que devido a uma sequência de eventos acaba criando uma espécie de laço com Armando.
De Longe Te Observo é sobre a distância inerente entre dois eixos, duas personas, magneticamente opostas, que dividem apenas uma vida eivada por traumas silenciados, feridas que nunca puderam se fechar. Eles prospectam no outro suas carências emocionais, as vezes de forma sexual, as vezes na forma de cuidado, sempre encorpando diferentes tipos de relações, toda incompatíveis com as tantas diferenças e separações que os situam na sociedade.
Essas várias distâncias transformam o relacionamento entre os protagonistas, invariavelmente, em um jogo de poder: há um processo patológico de dominação psicológica ocorrendo mutualmente entre eles, traçando uma relação de dependência. O mais experiente, por razões óbvias, leva vantagem na brincadeira predatória, aprisionando e condicionando o mais novo à sua perspectiva, à sua vida, aos seus problemas.
A direção se empenha em construir uma atmosfera tensa, de provocação e desconforto; o faz muito bem, compensando as conveniências do roteiro. A distancia é vivenciada também pelo espectador em relação a obra, os personagens não não carismáticos, não há música, nada no filme é convidativo ou inspira empatia, pelo contrário: há sempre uma aura de frieza perpetrando pelas cenas.
Em seu primeiro longa, Lorenzo Vigas demonstra habilidade com a direção, há uma visão particular sobre moral e julgamento que singulariza a dinâmica de seu cinema. Ele desenvolve uma narrativa que subordina o sentimento, a reprovação ou aprovação ao próprio espectador, sem influenciar qualquer reação determinada.
RATING: 70/100
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