1001 Filmes

cinema | poesia | verdade

#38. Moonrise Kingdom

Wes Anderson. EUA, 2012.

New Penzance é uma pequena ilha situada na costa da Nova Inglaterra. Ali, no ano de 1965, às vésperas de um dos maiores desastres naturais da história da região, o casal de jovens apaixonados, Sam Shakusky (Jared Gilman) e Suzy Bishop (Kara Hayward) estão prontos para colocar em prática seu plano para fugir de suas deslocadas realidades e construir uma vida juntos.

Moonrise Kingdom é um excelente marco na filmografia de Wes Anderson: os cenários elaborados, a simetria e a ludicidade típicas do diretor conjuram brilhantemente a ternura para contar esta história com a sensibilidade necessária para imprimir suas nuances. O seu processo é totalmente autoral, imprimindo seu estilo vigorosamente por cada um dos aspectos do filme.

A narrativa constrói e explora suas personagens, principalmente seus dois protagonista, de forma muito respeitosa e carinhosa. A todo momento, há um desejo expresso de entender suas particularidades, levando à sério suas ideias e seus sentimentos. O cineasta não fecha os olhos para os assuntos mais espinhosos e polêmicos da juventude, como a sexualidade, o abandono, a disfunção familiar e a depressão, pelo contrário, inclui-os na poesia da obra, sem, em momento algum, subvertê-los a algo anormal ou culpabilizável.

Há um senso de intimidade na maneira com que Wes aborda os temas, seus planos e cenários mais fechados aproximam o espectador das personagens, engajando um laço de empatia, ao mesmo tempo em que desenvolve suas figuras, respeitando as dinâmicas de suas respectivas idades e mentalidades. Ainda que exuberante, como um todo, o filme apresenta algumas simbologias sutis para demonstrar a evolução na maturidade de suas personagens, seja por meio das paletas de cores ou de outros elementos narrativos sabiamente distribuídos.

Wes Anderson atinge um nível de cinema muito único, finalmente manejando a construção de uma melancolia beatífica que lampeja por toda sua filmografia, mas que aqui finalmente ganha corpo. Além da realização estilística, há um componente humano e filosófico muito bem trabalhado, enrolado a uma fábula de descobertas que comporta muito bem o espírito do cinema de Wes.

RATING: 92/100

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