1001 Filmes

cinema | poesia | verdade

#35. Ave, César! (Hail, Caesar!)

Joel Coen, Ethan Coen. EUA, 2016.

Eddie Mannix (Josh Brolin) gerencia um estúdio de gravação na velha Hollywood dos anos 50, ocupando-se em resolver os problemas nos quais os problemáticos astros da época se envolviam. Quando o ator protagonista de sua produção mais cara em andamento, Baird Whitlock (George Clooney), some, em meio as gravações, Mannix precisa, mais uma vez, contornar a situação.

A ode dos irmãos Coen à Hollywood não poderia ter outro tom senão de sátira. Tecnicamente perfeito, mas narrativamente problemático, os cineastas entregam um trabalho muito belo, cheio de cenas deslumbrantes que, inequivocamente, remetem à Era de Ouro de Hollywood. Os entraves na progressão do filme quase desaparecem quando o espectador passa a encara-lo como a grande bagunça que não esconder ser.

A natureza da história permite que vários filmes, de vário gêneros, co-habitem, todos temperados com o senso de humor próprio dos diretores mas sem ir a lugar algum. Parece até incompleto pois apesar de esboçar tentativas de firmar um ponto de vista ou traçar determinação discussão, a narrativa nunca embarca em qualquer aprofundamento desses pontos, ficando a mercê do ritmo completamente desenfreado da montagem.

O humor reside, principalmente, na composição das excêntricas personagens, todas baseadas em expoentes da velha Hollywood e retratados com um senso de estilo exagerado, em um bom sentido: apropriado e quase beirando o caricato, mas propositalmente, para corresponder ao tom do longa.

Em Ave Cesar, a assinatura dos irmãos Coen está em toda parte. Chega ao ponto de negligenciar o conteúdo da própria história pra impregnar cada segundo do longa com aquela atmosfera cinematográfica particular. Felizmente, o estilo dos irmãos é suficiente para carregar todo o filme e amarrar um apanhado dos seus traços artísticos em uma obra bastante satisfatória de se assistir.

RATING: 70/100

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