1001 Filmes

cinema | poesia | verdade

#31. Pieta

Kim Ki-duk. Coreia do Sul, 2012.

Gang-Do (Cho Min-soo) é um violento agiota que tem o costume de aleijar, com frieza, os seus devedores inadimplentes. Ele é forçado a rever sua vida e seu trabalho ao reencontrar sua mãe, Mi-sun (Lee Jung-Jin), uma mulher misteriosa que o abandonou ao nascer. A história caminha para um desfecho de revelações conforme a relação entre eles vai se desenvolvendo.

Um conto sobre dinheiro, amor, morte e dinheiro, nesta ordem, porque o dinheiro é o início e o fim de todas as coisas. Funciona como filme pela autenticidade que o cineasta tem ao filmar a violência e dor extrema, contornando os exageros do enredo e amarrando um estilo bastante próprio de retratar tamanha vilania.

Pieta começa como um thriller sangrento que logo embala em um drama de vingança desmedido e bastante confuso. Por vezes, o longa cambaleia na edição ou no roteiro, mas imprime um estilo seco que grava cada cena com um pitada de ódio e rancor, adequada para uma história como esta. É desconfortável de assistir e, durante toda a sua duração, não se furta de explorar novos temas espinhosos.

É também um retrato efetivo das ideias de humanidade e indivíduo na conjuntura sul-coreana, profundamente ligadas à honra e ao trabalho como motivo cerne da existência e razão pelo merecimento da própria vida. Ainda, há um insight sobre as relações familiares, principalmente entre mãe e filho, naquela cultura: um vínculo mudo, mas extremamente forte, próximo e distante ao mesmo tempo, um apelo surdo e doloroso por afeto e perdão.

O que é o dinheiro? Amor. Honra. Violência. Fúria. Ódio. Inveja. Vingança. Morte. O dinheiro é a própria alma do filme na visão do diretor, traduzida por meio de um roteiro escabroso e vil. Mas, como de costume para Kim, encapado em uma bela realização, contemplativa e poética. Em meio a tamanho amargor, tudo termina com um adocicado lampejo de empatia.

RATING: 68/100

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