Xavier Legrand. França, 2018.

Suspense familiar com pinceladas de drama de tribunal, Custódia é sobre uma família destruída por um casamento mal sucedido. Miriam Besson (Léa Drucker) pleiteia a guarda unilateral de seu filho para protegê-lo do pai violento (Denis Ménochet). A juíza, no entanto, decide pela guarda compartilhada, expondo a criança a uma situação delicada entre os dois.
Legrand aborda a família como uma estrutura essencialmente opressora, com especial enfoque na figura do pai como o sustentáculo patriarcal para aquela relação tóxica. É um prato cheio para discussões de gênero, principalmente dentro da bolha familiar.
Ménochet personifica uma figura dominadora que paralisa de medo seus arredores e cria uma atmosfera sufocante de tensão e pavor. É a visão do diretor para a figura do pai e do marido, uma persona complexa que sofre e, presa em sua própria irracionalidade, não consegue conter a explosão de seus sentimentos em atitudes violentas e egoístas que afastam aqueles que este mais quer perto. Não apenas quer, como exige.
É um estudo de caso sobre a decadência do casamento enquanto instituição, na qual o direto vai perpassando diversas questões que afloram neste momento de rompimento conjugal: o direito, os filhos, a dor. Evoca a pensar sobre tantas gerações que foram, e ainda são, fadadas a este experimento mal sucedido que flagela tantos homens e, principalmente, mulheres.
Custódia é uma provocação extremamente imersiva sobre o pai, o marido, o provedor, o homem cordial, os bastidores da família e violências institucionais do sistema judicial e, sobre tudo, é o atestado de óbito destas instituições como as conhecemos.
RATING: 89/100
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