Fatih Akin. Alemanha, 2017.

A vida de Katja (Diane Kruger) colapsa depois que um ato de ódio e terror atinge sua família. Obrigada a enfrentar um desgastante processo e as contradições do sistema de justiça alemão, ela se encontra em um grave estado de depressão e resolve ir, por contra própria, atrás de vingança.
Em Pedaços é um drama intenso sobre luto e depressão, com camadas internas de orientação política e comentário social, potencializado por uma performance agonizante a espetacular de Diane Kruger, que sustenta a obra mais do que qualquer outro elemento, demonstrando um alcance esplendido: vai de momentos de loucura extrema a outros profundamente internos e reflexivos.
A narrativa sadista e mórbida tortura a protagonista, esvaziando-lhe a alma a cada nova facada. O caminho inflexível da história, desta forma, acaba modulando a ficção como um tanto previsível, por nunca disfarçar ou diluir o motim universal contra Katjia. Mas, ainda, maneja-se não criar uma resistência à empatia do espectador em relação à personagem, em grande parte por conta do trabalho de Kruger.
Sem se preocupar tanto com inovações ou um desenvolvimento mais multilateral da história, o diretor concentra suas forças em criar atmosferas de dor e tensão distribuídas ao longo de toda história, principalmente no último ato do filme, no qual o suspense é elevado à máxima potência. Ele cria uma identidade visual muito urbana e poluída, que ajuda na construção da melancolia em volta da protagonista, dando corpo ao drama e fortalecendo o espírito do longa.
Fatih Akin manipula Diane Kruker com agulhas e espetos. A dosagem de dor e sofrimento que embargam a protagonista e arrematam a audiência é calculosamente cruel. A jornada de Katja é fragmentada, para que se deguste com calma cada nota de amargor: ela começa mulher e termina em pedaços. O saldo político já se sabe, mas não custa repetir: a cadela está sempre no cio.
RATING: 83/100
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