1001 Filmes

cinema | poesia | verdade

#42. O Outro Lado da Esperança (Toivon tuolla puolen)

Aki Kaurismäki. Finlândia, 2017.

Khaled (Sherwan Haji) é um sírio refugiado que chega à Finlandia em busca de asilo depois de uma série de experiências traumáticas que o levaram até lá. Ele encontra o dono de resturante Wikström (Sakari Kuosmanen), finlandês que o auxiliará em sua jornada pelo refúgio que lhe é devido.

O outro lado da esperança trás à tela um recorte pouco explorado cinematicamente no contexto da interminável crise de refugiados que vem ocorrendo entre o Oriente Médio e a Europa. O cineasta se utiliza da experiência finlandesa, personificada pelo sírio Khaled, para apresentar um insight nos processos legais, sociais e burocráticos para a obtenção do visto de residência no país. Tal demonstrativo vai desde a triagem dos imigrantes até a opção pela vida na clandestinidade.

O longa toma o passo de um humor seco, mecânico mas que engaja uma história indigesta, na qual a comédia lampeja quase fúnebre pelo cotidiano apresentado, sem qualquer intensão de aliviar o desconforto que a temática inspira. O diretor retrata um Finlândia parada no tempo, anacrônica, muito velha, branca e asfixiante para construir uma hostilidade do ambiente para com o protagonista, em sua condição de refugiado árabe. Entretanto, tal hostilidade é eventualmente aliviada por algumas personagens finlandesas mais receptivas à Khaled, demonstrando um tom de polarização daquela comunidade.

A narrativa aproveita do protagonista para experienciar uma grande variedades de temas que tangenciam a condição de um refugiado: há os problemas com o racismo, com as autoridades, toda a dificuldade prévia da chegada ao país, a preocupação com quem ficou para trás, o tratamento degradante, mas, na medida apropriada para a progressão do roteiro, também há a solidariedade e a fraternidade de tantas pessoas que tornam possíveis todas essas (r)existências.

Aki Kaurismäki utiliza uma conjuntura bastante debatida para trazer a tona novas nuances da questão migratória na europa. Há um desejo de individualizar esses sujeitos e emergir mais pessoalmente em suas melancolias engolidas por suas situações. É difícil digerir a secura que assola tais histórias, mas passar pelas fronteiras é fácil quando ninguém os quer ver.

RATING: 79/100

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